Amazônia

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HELIO FERNANDES
TRIBUNA, 060908

(…) Os 3 artigos do geólogo Lynce Naveira, excelentes. E terminando hoje, outros 3 do general Lessa, também magníficos, e que como o Lynce conhece a fundo a Amazônia. O general Lessa mostrou, abertamente, que 216 reservas indígenas podem se transformar em países independentes. Essa a verdadeira tragédia. 
A luta não é entre índios e não índios e sim entre brasileiros de todas as etnias que querem despedaçar o País.

O voto do ministro Ayres Britto, literário, intelectualizado, superficial embora tenha sido necessário 107 laudas, não serve de maneira alguma à integração, à defesa e à unidade nacional. 

O adversário vem de fora e não daqui, os índios estão satisfeitos, nós não. Os artigos do geólogo e do general mudarão a visão dos fatos e da realidade.

AMAZÔNIA – GEÓLOGO LYNCE NAVEIRA
TRIBUNA, 290808

Amazônia 

Caro jornalista Helio Fernandes, leio a sua Tribuna desde 1968. Tenho-lhe grande admiração e respeito pela sua integridade, coragem, patriotismo e coerência. Helio, sou geólogo com 30 anos de formação (UFRJ). Só de Amazônia tenho quase 10 anos de serviços prestados. Como você, tenho ficado muito indignado com a tentativa de países “amigos” e de brasileiros “patriotas” tentarem desanexar a nossa Amazônia. Escrevi artigo a respeito deste delicado e grave tema. 

Gostaria que o lesse e se achasse oportuno o publicasse. De preferência, se aprovado por ti, antes do julgamento do STF, que começa amanhã e deve se arrastar por alguns dias. Seria bom que os ministros do STF o lessem, através do seu jornal, antes do julgamento. Teriam mais informações a respeito. Grande abraço e que Deus lhe dê vida longa, pois o Brasil precisa de gente como você.
Geólogo Lynce Naveira – Rio de Janeiro (RJ)

RESPOSTA DE HELIO FERNANDES – O artigo chegou atrasado, mas o Supremo não decidiu, nem vai decidir tão cedo. Tua defesa do interesse da Amazônia e naturalmente do Brasil, admirável. Como está muito grande, terei que dividir em três partes. Não será mutilado, o leitor ganhará, pois mais facilmente assimilará as lições que você como geólogo e estudioso da Amazônia estará dando a todos. Será publicado segunda, terça e quarta-feira.

SERRA DO SOL AMEAÇA A AMAZÔNIA (I)
Lynce Naveira
TRIBUNA, 010908

É vergonhoso saber que o representante do Brasil na ONU foi o único, entre os países abaixo citados, a votar a favor de transformar reservas indígenas brasileiras em nações independentes. O “curioso” é que países que também têm índios e reservas indígenas tais como Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Guiné e Nova Zelândia votaram contra, outros 11 países se abstiveram, inclusive Argentina e Chile. 

Só o brasileiro “bonzinho” e “patriota” votou a favor (eu gostaria muito de saber o nome deste “patriota”). Me pergunto muitas vezes se foi pura estultice, ou será que não está rolando uma magnífica propina, quem sabe de 10,20, ou 50 BILHÕES de dólares por tal traição à Pátria. 

Quanto vale 50%, isto mesmo, metade da nossa Amazônia? 

Riquíssima em minerais e metais nobres, como nióbio, essencial para a fabricação de turbinas de aviões e foguetes e também usado na fabricação de tanques de reatores atômicos (mais de 90% das reservas mundiais de nióbio do mundo estão na Amazônia. Tântalo, imprescindível na fabricação de mísseis (já custou mais de 100 mil dólares a tonelada no auge da guerra fria, hoje não deve estar muito abaixo deste valor. 

A densidade dele é próxima a do ouro, portanto um caixotinho de nada pesa uma tonelada, já uma tonelada de minério de ferro está em torno de 80 dólares, (só para comparar). O tântalo é um minério raro, e o dito primeiro mundo é pobre, muito pobre, tanto em tântalo como em nióbio. Segundo entrevista veiculada apenas e apenas pela patriota TV Bandeirantes (várias vezes, parabéns à família Saad), o sertanista Orlando Villas Boas em 2002 denunciou que os Estados Unidos haviam levado 15 indígenas da “tribo Yanomami” (que nunca existiu, foi criada, inventada a partir do ajuntamento de fragmentos de 04 etnias que não falam a mesma língua, nem têm a mesma cultura e que mal se entendem entre si. 

Tal criação é atribuída ao príncipe Philiphes, marido da Rainha da Inglaterra e fundador e presidente do W W F (no Brasil o presidente do W W F era o Sr. José Roberto Marinho), e que vieram de países vizinhos a nós. O nome foi dado, segundo se comenta, por uma jornalista belga). Mas voltemos aos fatos denunciados por Villas Boas. Estes indígenas teriam sido levados para os Estados Unidos para receberem aulas de liderança, geografia, história etc., com o o objetivo deliberado de na hora oportuna desanexar o Estado de Roraima do Brasil (o que está em marcha acelerada). 

Segundo esta mesma reportagem, em Roraima está a maior jazida de urânio até hoje descoberta no mundo. Todo mundo sabe que o urânio é essencial como combustível para reatores nucleares e também para a fabricação de bombas atômicas. Seu preço no mercado mundial é muito elevado. Roraima também é muito rica em molibdênio (minério estratégico), também em thório minério rádio-ativo e estratégico. Além de ser riquíssima em ouro e diamantes, e segundo Villas Boas é também muito rico em alexandrita (pedra rara e muito cara). 

A Nossa Amazônia é também riquíssima em cassiterita, minério de estanho (essencial a várias indústrias). Wolframita, minério de tungstênio, para aços especiais, tipo armamentos, manganês e ferro, minerais essenciais à indústria do aço, bauxita, minério essencial à indústria de alumínio, caulim, minério essencial à indústria de papel e cerâmica (as maiores reservas do mundo estão na Amazônia). 

Sem falar nas grandes jazidas de minério de cobre e tantas outras. Fora a maior reserva do mundo de água doce e potável. Só 0,2% da água do mundo é doce, deste pequeno percentual, 21% estão na Amazônia, 14% no Canadá e o restante é distribuído em pequenas percentagens pelo mundo. Segundo a ONU, em 2025 vai faltar água para 60% da humanidade.
Lynce Naveira é geólogo senior

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SERRA DO SOL AMEAÇA A AMAZÔNIA (II)
Lynce Naveira
TRIBUNA, 020908

Nossa Amazônia também é riquíssima em biodiversidade, em madeiras nobres, em grande variedade de peixes, inclusive ornamentais, em vastas áreas de terras férteis. (Aquela história de que é um solo arenoso e pobre é tão verdadeira quanto o que os gringos diziam, na década de 1950, que no Brasil não havia petróleo).

Agora países hegemônicos nos virem cobrar esta ou aquela atitude em relação a índios e ao meio ambiente ou a fazer justiça a este ou aquele grupo, cheira a cinismo puro. Vejamos. Enquanto Europa e Estados Unidos têm menos de 3% cada de cobertura vegertal, nós temos 76%, portanto merecemos elogios e não puxões de orelha. Quando eles superarem a nossa cobertura vegetal poderão falar alguma coisa, mas até lá seria bom que ficassem calados. 

Quanto aos índios, não tínhamos nenhum problema de convivência até que artificialmente nações “amigas” do dito primeiro mundo, (aquelas que explodiram aos montes bombas atômicas na atmosfera, nos atóis nos mares, etc.. Que lançaram bombas atômicas sobre uma população civil matando centenas de milhares de pessoas. Que quase dizimaram seus índios (quem duvida que leia “Enterrem meu coração na curva do rio”, de Den Bon Brawm, – história dos Índios Americanos contadas por eles mesmos). 

Estas nações “amigas” criaram, segundo a Abin (Agência de Inteligência do Brasil), mais de 100 mil ONGs (mais ou menos três para cada índio) com o vergonhoso e mal disfaçado propósito de tomar a Amazônia do Brasil e dos outros países que também têm em seus territórios partes da floresta amazônica, como um todo.

Agora, só após os Estados Unidos devolverem a Flórida, o Texas, o Arizona, o Novo México, a Califórnia aos mexicanos, só após eles devolverem Guantánamo aos cubanos, só depois que eles repararem o mal causado aos seus índios e ao seu meio ambiente é poderão falar alguma coisa.

Quanto à Inglaterra, somente após devolver a Escócia aos escoceses, a Irlanda aos irlandeses, as Malvinas aos argentinos e ainda devolver corrigidos ao Brasil todo o ouro roubado nos 350 de pirataria financiados pela Coroa Inglesa, indenizar os africanos pelo tráfico de escravos e o sofrimeno a este povo impingido cruelmente, indenizar a China pelos 100 anos que ela, Inglaterra, levou ópio para o país, causando grande sofrimento àquele povo, poderá também falar alguma coisa.

Quanto à Igreja Católica, ela só poderá proferir qualquer crítica ao Brasil depois que fizer justiça e indenizar todos os descendentes das famílias que tiveram seus entes queridos queimados vivos nas fogueias da inquisição, que durou alguns séculos. Depois que indenizarem todos os povos massacrados durante as perversas cruzadas. Só estes dois lamentáveis fatos de brutal injustiça e crueldade devem ter feito Nosso Senhor Jesus Cristo, lá no Céu, chorar muito, por ver seus ensinamentos e preceitos serem rasgados, exatamente por aqueles que os deviam pregar e defender. Sem falar na impagável indenização às vítimas (crianças inocentes e indefesas) pela afronta, vergonha, brutalidade e humilhação a que foram submetidas por padres pedófilos (sendo que a Igreja fez vistas grossas na maioria das vezes). 

O “curioso” é que só nos Estados Unidos é que as vítimas estão sendo indenizadas. Portanto, antes de a Igreja vir querer intrometer-se nos assuntos do Estado Brasileiro deveria preceder a estas reparações, até lá seria bom que ficasse calada.

Lynce Naveira é geólogo sênior

SERRA DO SOL AMEAÇA AMAZÔNIA (FIM)
Lynce Naveira
http://www.tribuna.inf.br/anteriores/2008/setembro/03/coluna.asp?coluna=opiniao 
TRIBUNA , 030908

É assustador quando a gente vê um ministro de Estado dar uma de leão de chácara do chamado primeiro mundo, mandando prender um empresário que chegou a Roraima antes da criação da chamada Tribo Yanomami. Um brasileiro que está defendendo as nossas fronteiras, que está produzindo comida para um mundo faminto, que está gerando trabalho e riquezas para as pessoas, para o Estado de Roraima e para o Brasil. No entanto sai algemado para Brasília, que governo…

Sou geólogo, formado pela UFRJ, completo este ano 30 anos de formado, trabalhei para várias empresas de grande porte. Trabalhei na regiões Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte. Só de região amazônica tenho quase 10 anos de serviços prestados. Acho que os índios, como todos os brasileiros, merecem todo o respeito. Nós somos uma miscigenação bem sucedida de várias raças, branca, negra e índia. 

Acredito que a grande maioria do povo brasileiro carregue gens destas três raças. Só na região amazônica tem 25 milhões de babitantes (brasileiros). Embora a maioria se considere raça branca, no entanto são exatamente a mistura destas três raças e apenas menos de trezentos mil sejam índios puros. Nesses 10 anos nunca vi índio encarapitado em cima de serras, e sim em grandes planícies à beira de grandes rios. 

Também nunca encontrei índio caçando a mais de dez quilômetros da aldeia. Por isso não consigo entender onde está a lógica e o bom senso de se criar uma reserva tipo Serra do Sol com mais ou menos o tamanho do Estado do Rio de Janeiro para 2.800 pessoas (índios). Sendo que o Estado do Rio tem mais ou menos 15 milhões de habitantes, e ainda assim tem vastas áreas de baixa densidade habitacional. Também nunca conheci índio que após conhecer espingarda, fogão a gás, camionete e avião que não quisesse tudo isto.

Só antropólogo mal intencionado é que acha que eles querem continuar na era paleolítica. Outro contra-senso é criar reservas indígenas na fronteira. Acho que deviam ficar a pelo menos 200 quilômetros das fronteiras, e jamais serem imensas e contínuas pelas razões que expus acima. Agora os índios verdadeiros, a maioria quer continuar brasileiro. Só uma minoria de índios que têm curso superior, mestrado e doutorado fora, que usam lap-top, tênis Nike, roupas de grife, que têm passaporte, pilotam avião. 

Que não cassam nem pescam, que embora sejam brasileiros, mas, por interesses pecuniários, querem transformar terras indígenas em países independentes para depois vendê-los, da mesma forma que os Estados Unidos compraram o Alasca. Seriam “apenas” 256 países dentro da nossa amazônia que logo seriam vendidos para nações “amigas” do chamado primeiro mundo. Depois disso ocupariam o resto da Amazônia nossa e dos vizinhos.

Apesar do acima exposto, o povo brasileiro deposita as melhores esperanças no Supremo Tribunal Federal. Acreditamos no patriotismo desta Suprema Corte. Acreditamos que estes juízes não se deixaraão intimidar, nem vergarão às pressões esbulhas e nem aos interesses subalternos, feitos por estes ou aqueles grupelhos, de lesa-pátrias de plantão ou por ONGs “amigas” dos índios e do Brasil. E trarão as reservas para o tamanho que devem ter e para o local devem ocupar, pondo fim a esta ação rasteira de rapinagem internacional usando índios como laranjas.

Enfim, o Brasil é perfeitamente viável, no conjunto não existe nação que acumule tantas terras férteis, tamanha variedade e quantidade de minerais essenciais ao seu desenvolvimento, água em abundância, índice de insolação (essencial às plantas), petróleo, extensão territorial magnífica (que querem nos tirar), um povo trabalhador e de boa índole. Só falta vontade política, patriotismo, pulso, coragem e vergonha de nossos homens públicos.

Para finalizar, nenhum presidente da República, muito menos ministro, tem o direito de vender, doar ou desanexar qualquer porção do Território Nacional, a qualquer título, pois não lhes pertencem, e sim ao povo brasileiro. Que Deus nos proteja dos homens de ma índole.
Lynce Naveira é geólogo sênior

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