Apesar de oficialmente demarcada, os índios ainda esperam a homologação de suas terras no Espírito Santo pelo governo federal. A Aracruz Celulose tomou as terras dos índios há 40 anos, à força. Usou os serviços de um dos maiores pistoleiros da história do Espírito Santo, o major PM Orlando Cavalcante. Apesar de explorar as terras indígenas por quatro décadas, a indenização aos índios definida no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que a Aracruz Celulose foi obrigada a assinar, será de apenas R$ 3 milhões. E o pagamento só será feito após a empresa retirar todo o eucalipto que está plantado na área. A empresa também tomou terras dos quilombolas, no norte capixaba.

E, da mesma forma que fez com os índios, usou mão-de-obra bandida para tomar estas terras. Seu principal testa-de-ferro foi o tenente Merçon, do Exército. No máximo, o militar consentia em pagar valores irrisórios aos que resistiam. Os negros então foram forçados a abandonar cerca de 50 mil hectares em todo o Estado em favor da empresa. A empresa ainda ocupou e explora terras devolutas, como da fazenda Agril. Por lei, as terras devolutas devem ser destinadas à reforma agrária. Para plantar seus eucaliptais, a Aracruz Celulose destruiu cerca de 50 mil hectares da mata atlântica e toda a sua biodiversidade.

A Aracruz Celulose foi criada pelos militares atendendo ao empresário norueguês Erling Sven Lorentzen. Erling é casado com a princesa Ragnhild, irmã do rei Harald V. Para criar a empresa, o autoritário governo federal e os governos estaduais atenderam a tudo o que foi idealizado e pedido pelos noruegueses. Na prática, a empresa foi construída com dinheiro brasileiro. Depois, foi entregue a área privada, principalmente a Erling Sven Lorentzen.