Recorde de denúncias sobre tráfico de drogas em São Paulo

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SÃO PAULO - O primeiro semestre deste ano teve um aumento recorde de denúncias sobre tráfico de drogas em São Paulo. Entre janeiro e julho, o Disque Denúncia (181) foi acionado 26.694 vezes com informações sobre o comércio de cocaína, maconha, crack e ecstasy. O número é 21,4% superior ao registrado no mesmo período de 2007, quando foram 21.988 casos. O crescimento foi o maior registrado nos últimos cinco anos. Desde 2003, a evolução de um ano para outro nunca havia ultrapassado a casa dos 17%.  

O mapeamento do Instituto São Paulo Contra a Violência, administrador do 181, revela que o “epicentro” das denúncias está em três cidades. A divisão por municípios, feita a pedido da reportagem, indica que 36% dos telefonemas anônimos partiram da capital paulista. Em segundo lugar vem Sorocaba, no interior, com 4% dos casos, seguida por Guarulhos, na Grande São Paulo, com 3%.  

A concentração de 43% das notificações em três regiões do Estado expressa que o tráfico obedece às leis de mercado, avalia o coordenador de Projetos do instituto, Paullo Santos. “O traficante não doa, ele vende droga. Por isso, ficará concentrado onde o poder de consumo é maior”, afirma.  

O sociólogo Marcelo Batista Neri, do Núcleo de Estudos da Violência da USP, concorda que a radiografia do Disque Denúncia pode mensurar onde o tráfico tem atuação. Já o diretor administrativo do Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), delegado Luiz Carlos Magno, afirma que a denúncia tem a ver com a relação da população com o comércio de drogas. “Infelizmente, o tráfico é estabelecido de forma sistêmica em todo Estado. Avalio que a concentração de denúncias nessas cidades é reflexo da conscientização dos moradores”, diz o Magno.

Crime organizado

Um outro argumento para o fôlego do tráfico nas denúncias é a migração do Primeiro Comando da Capital (PCC) para esse crime. “De quatro anos para cá, a facção deixa de trabalhar com o roubo de carga, por causa da informatização das empresas, e entra com tudo no tráfico de drogas”, afirma Marisa Ferffeman, psicóloga e estudiosa do crime organizado. “O PCC sabe onde estão todas as bocas e tem o controle de tudo isso. De algo dividido, como era antes com os microtraficantes, passa a ser centralizado”, completa ela, ao citar que uma das ferramentas da facção é conquistar o jovem que se sente excluído da sociedade (leia entrevista abaixo). 

O combate a um crime tão complexo faz Renato De Vitto, presidente da comissão de segurança do Instituto Brasileiro de Informações Sobre o Crime (Ibccrim), afirmar que a linha de atuação precisa ser diversa. “É preciso pensar na prevenção geral, que não se exaure na oferta de tratamento ao dependente, nem no aumento da repressão policial”, afirma. “A força do tráfico mostra que estamos carentes de políticas públicas integradas, que precisam contemplar o emprego, a cultura e o lazer.”

Os números de boletins de ocorrência sobre apreensões de entorpecentes e de traficantes também estão em alta. Entre janeiro e junho, foram 21.034 boletins registrados em delegacias em São Paulo, frente a 15.399 nos mesmo intervalo de 2003 – um acréscimo de 38,3%. “A denúncia caminha ao lado da ação policial. É uma das armas mais preciosas da investigação”, afirma o delegado Magno,do Denarc. 

Estratégias

O Disque Denúncia é a estratégia de segurança adotada por Sorocaba que, apesar de concentrar 1,4% da população paulista (cerca de 580 mil moradores), é uma das líderes de denúncias. Durante o ano, são feitas campanhas sobre a importância de denunciar, informa o secretário de Governo do município, Maurício Biazotto Corte. “É fundamental que a população veja respostas para que a denúncia não caia em descrédito”, afirma.

Já em Guarulhos, terceiro em denúncias, as crianças entre 9 e 11 anos da rede municipal de ensino fazem um curso de nove semanas sobre a ação dos traficantes. Os pais também participam. “Percebemos que os pais querem falar com os filhos sobre drogas, mas não têm conhecimento”, explica Tomaz Roberto Oscar, coordenador do projeto. Desde 2003, já freqüentaram o curso 3 mil crianças. A meta é chegar a 7 mil.

Fernanda Aranda e Marici Capitelli, do Jornal da Tarde

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Um Comentário

  1. Cassab José
    Postado em 30 de janeiro de 2010 às 23:22 | Permalink

    NO CENTRO DE SÃO PAULO
    KASSAB E SERRA APROVAM SITUAÇÃO
    NÃO FAZEM ABSOLUTAMENTE NADA
    PAIS QUE MORAM NAS PROXIMIDADES LAMENTAM O DESCASO DE KASSAB E SERRA
    TUDO ACONTECE BEM NO NARIZ DOS DOIS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    TÃO PRÓXIMOS E TÃO DISTANTES DA SITUAÇÃ!!!! ESTARIAM SOB EFEITO DO QUE???
    OLHE EM SEUS OLHOS……

    Centenas de drogados estão de volta à Rua dos Gusmões no querteirão entre a rua Conselheiro Nébias e a alameda Barão de Limeira, região central de São Paulo. Chegam no início da noite e ficam por ali consumindo crack, maconha, cocaína, entre outras drogas consideradas ilícitas.
    Os traficantes agem livremente. Vendem de tudo, papel, fósforos, isqueiros, inclusive cachimbos, sem pagar um centavo de impostos.
    A prefeitura fica inerte. Parece não saber do problema. O mais cruel é que o Posto Principal da Guarda Civil Metropolitana da Cidade de São Paulo, órgão subordinado ao prefeito Gilberto Kassab, está bem no início da rua dos Gusmões. O mesmo que todos os dias aparece na telinha da TV Globo para dizer que está fazendo um trabalho impecável na capital paulistana.
    A sede de seu gabinete fica a poucos quarteirões dali. Todas as suas secretarias municipais ficam nas redondezas, inclusive a da Saúde.
    As lojas de motos que recebem milhões na região nada fazem, apenas ganham o que ganham durante o dia. Fecham suas portas e o problema acontece à noite. O caos.
    O governo do Estado, que é administrado pelo Sr. José Serra. É outro que não faz absolutamente nada. Nem mesmo uma viatura da Polícia Militar do Estado de São Paulo manda para espantar os drogados e traficantes da área.
    José Serra é outro que aparece nas teleinhas da televisão, diariamente, fazendo a sua campanha à presidência da República. Diz realizar um trabalho impressionante no Palácio dos Bandeirantes, digno de se ganhar a confiança do eleitorado do país inteiro.

    Um problema desses, o das drogas na Rus dos Gusmões, permanece, parece, para sempre, caso dependa de Gilberto Kassab e José Serra e de todos os seus assessores, da Segurança, da Saúde e de tudo o mais. Onde estão os agentes de Saúde que um dia passaram por ali para perguntar se os drogados queriam tratamento?
    Quem mora nas proximidades da Rua dos Gusmões, ou nela mesmo, é vítima de uma situação que já dura há anos. A imprensa quando age, o problema até parece que será resolvido, mas……. Ela apenas retrata o problema e desaparece……
    Quem trabalha e chega à noite ou de madrugada em casa tem de passar por dezenas de consumidores de drogas, traficantes e entre eles, bandidos que exigem seus pertences……
    Enquanto isso acontece, candidatos aos mais diferentes cargos eletivos aparecem diante das câmaras prometendo soluções para todos os tipos de problemas, mas esse, o das drogas, está na rua dos Gumões que no início da manhã está imunda de merda, pedados de papel, lixo. Fétida. O retrato do resultado do consumo sem fim de todos os tipos de drogas. Pela manhã as mães tem de passar com seus filhos para irem às creches das proximidades.
    Policiais às vezes passam com suas viaturas, apenas isso. Parecem coniventes com a situação. Nas portas das delegacias das proximidades, dezenas de viaturas paradas, sem muito o que fazer, uma vez que na região não acontece muita coisa além disso……

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